quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Brasil - Amazônia. Terra arrasada


O que distingue a regularização fundiária dos militares da que o governo Lula começou a realizar agora na Amazônia? Talvez as diferenças sejam apenas superficiais. Na essência, o objetivo é o mesmo: continuar a submeter a Amazônia à ação do colonizador. E do predador.
O governo federal decidiu regularizar as situações fundiárias na Amazônia que, embora "gestadas na tortuosidade das atitudes reprováveis", precisavam ser redimidas, "na medida em que promovem o desenvolvimento da região". Não havia como "fugir à consolidação daquelas situações que favorecem ou poderão favorecer a política econômica e social".
Assim, pessoas físicas ou jurídicas que se tornaram donas de terras com base em títulos irregulares ou mesmo falsos de propriedade poderiam legalizar suas áreas, até o limite de 60 mil hectares. Bastaria provarem que adquiriram seu imóvel de boa fé e estarem desenvolvendo um projeto econômico no local. Para ser iniciada a regularização fundiária, o suposto proprietário precisaria transferir o registro em cartório da área para o nome da União e aceitar as definições dos limites do imóvel após a regularização dos seus ocupantes.
Já os ocupantes de glebas com até dois mil e três mil hectares podiam se habilitar a regularizá-las, sem a necessidade de licitação pública, desde que tivessem morada habitual no imóvel, com sua família, cultura efetiva e permanência no local por no mínimo 10 anos.
As duas iniciativas foram sugeridas ao governo através de duas exposições de motivos (conhecidas como 005 e 006), assinadas pelo ministro da agricultura e o ministro-chefe do todo poderoso Conselho de Segurança Nacional. Passaram a ter força de lei quando o presidente da república as aprovou, desencadeando processos que acabaram por consolidar grilagens e ocupações irregulares de terras na Amazônia.
As duas medidas foram criadas em junho de 1976, quando a presidência era ocupada pelo general Ernesto Geisel, no auge do regime militar estabelecido em 1964, com base em um golpe de Estado. Mas é tentador pensar nelas ao ler a Medida Provisória 458, que o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional e, ao ser aprovada, se transformou na lei 11.952. Mais de três décadas depois, as causas para a iniciativa oficial permanecem as mesmas: de uma forma ou de outra, pioneiros se estabeleceram em terras públicas sem serem titulados, derrubaram floresta, fizeram plantações e continuam a avançar sobre novas terras de forma ilegal. O que fazer diante dessa agressão? Legalizá-la, é o que propôs de novo o governo.
A tarefa é hercúlea e perigosa. O governo pretende legitimar 300 mil ocupantes ilegais numa área de 67 milhões de hectares, equivalente a metade do território do Pará, o segundo Estado em extensão do Brasil e o segundo que mais desmatamento sofreu na Amazônia. É o equivalente a 13% de toda Amazônia, que já perdeu quase 20% da sua mata original. Essa enorme regularização pode ter o efeito de mais gasolina num terreno de alta combustão. Pode incentivar mais desmatamento e mais grilagem, até a escala do irremediável, descontrolado, definitivo.
Como o governo do general Geisel em 1976, o governo do metalúrgico Lula diz em 2009 que dispõe de antídotos para os efeitos colaterais de um medicamento necessário para combater as doenças na estrutura fundiária da Amazônia. A primeira cautela foi não englobar na providência as ocupações anteriores a 2004. Com isso, a regularização não fomentará novos desmatamentos. Quem utilizar esse recurso para poder se cadastrar e receber seu título, será desmascarado e excluído da fila dos beneficiários.
Outras cautelas foram reforçadas quando o governo vetou duas intrusões no texto original, patrocinadas pelo relator da MP na Câmara, o deputado federal paraense Asdrúbal Bentes. A regularização de terras de pessoas jurídicas e a figura do intermediário, o "laranja", foram suprimidas. Certamente essas duas possibilidades convalidariam ou induziriam as fraudes cartoriais ou possessórias, em ampla escala.
Ademais, dizem os defensores do projeto, todos os lotes com mais de 400 hectares apresentados ao programa "Terra Legal" serão vistoriados para impedir o favorecimento a especuladores com a dispensa de licitação pública para a venda de lote com até 1.500 hectares. A verificação direta da situação do imóvel será reforçada por todas as formas de informações indiretas, obtidas através de imagens de satélite e dados cadastrais já existentes. O pente fino teria eficácia suficiente para expurgar os grileiros e os invasores de terras.
As exposições de motivos dos militares também estavam cheias de salvaguardas, a começar por separarem a regularização das grilagens da legitimação das ocupações (por isso foram elaboradas duas exposições de motivos distintas). Contra o justo receio de que as iniciativas amparavam grandes grileiros, havia o dispositivo fatal da renúncia prévia ao registro cartorial por parte do pretendente à regularização. Só mesmo alguém de boa-fé cancelaria esse documento antes de ter certeza de poder substituir o título irregular ou nulo por um documento hábil. A matrícula do imóvel podia ser ilegal, mas era uma pretensão de direito ou, pelo menos, um instrumento de barganha e pressão.
A condicionante era tão forte que foi ignorada. Na prática, os processos realizados sob o vasto e espesso manto da EM 005 adotaram uma mecânica nova: só ao final da regularização o detentor do papel imprestável renunciava a ele, em troca do registro quente. A inovação desnaturava a ação e mostrava que só quem já perdera tudo é que iria se dispor a se submeter ao arbítrio do governo, que, certamente, sabia quem podia se valer da sua iniciativa. Talvez a tenha adotado de caso pensado, com efeito muito bem dirigido. Foi no Maranhão que a regularização começou e se tornou maior.
A MP 458 não fez distinção, limitando-se a estabelecer gradações a partir de limites de módulos fiscais, de 400 a 1,5 mil hectares. São dimensões bem menores do que as de 1976, o que poderia sugerir que o alvo agora são apenas os posseiros ou colonos e não empresas ou grileiros. Mas é preciso considerar que 30 anos atrás a ocupação da Amazônia estava abaixo de 1% da sua superfície e agora essa amplitude é de 20%.
Depois de promover ocupações desordenadas e irracionais, depois de alienar milhões de hectares de terras públicas sem vincular essas operações a um plano de uso minimamente confiável, o governo ainda tem gás (e intestinos) para comandar o que deverá ser a maior regularização fundiária de todos os tempos. Talvez não só no Brasil, mas no continente e, quem sabe, no mundo, considerando-se que o cronograma é de cinco anos, mas a ação efetiva se esgotará em três anos, abrangendo 67 milhões de hectares (ou 200 vezes a área do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí, que formou o segundo maior lago artificial do país).
A causa até pode ser nobre: tirar da ilegalidade 300 mil chefes de família que já se estabeleceram em algum ponto da Amazônia sem o amparo da legalidade. O fato de que, passadas três décadas, essa causa ainda existe e tem uma larga expressão, é um atestado da incompetência do próprio governo federal. Sendo o principal agente da intensa migração para a Amazônia, ele não é capaz de ordená-la, dar-lhe um sentido e controlá-la.
Sem falar na tarefa mais importante: impedir que a Amazônia continue a ser o depósito da insolvência nacional. Quem não consegue se estabelecer ou se realizar na terra de origem, se transfere para a fronteira amazônica com a expectativa de nela realizar seus objetivos, que são trazidos prontos, definidos. O local de destino que se acomode a essa cultura de fora, para isso se desnaturando, ou sendo por ela modificado, submetido e destruído.
A MP 458 integra essa lógica e atende a tal objetivo. Ainda que o governo dispusesse de gente bastante e competente para lidar com essa nova colonização, feita a partir de dentro, e a execução dos propósitos fosse límpido e honesto, a realização da empreitada se amolda ao que sugere aquele ditado americano cunhado para situações semelhantes: se o estupro é inevitável, relaxe e aproveite.
Novamente por um ato de império, agindo de cima para baixo e de fora para dentro, presumindo-se iluminado pelo saber e a boa intenção, o governo federal se move como há 30 anos. Se à frente dessa investida está o general Geisel ou o metalúrgico Lula, pouco importa. Mesmo porque eles se parecem mais do que diferenciem, ou do que pensam. À Amazônia está destinado um destino semelhante, na essência, mesmo que as aparências se distingam, ao de Cartago. Só que, neste caso, os romanos estão em casa e falam a mesma língua.
Lúcio Flávio Pinto Adital

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência



Você pode conferir aqui quanto tempo falta...

A Marcha Mundial pela Paz e pela Não-violência foi lançada durante o Simpósio do Centro Mundial de Estudos Humanistas no Parque de Estudo e Reflexão Punta de Vacas (Argentina), em 15 de novembro de 2008.

Esta Marcha pretende criar consciência frente à perigosa situação mundial que atravessamos, marcada pela grande probabilidade de conflito nuclear, pelo armamentismo e pela violenta ocupação militar de territórios.

Esta é uma proposta de mobilização social sem precedentes, impulsionada pelo Movimento Humanista através de um de seus organismos, o Mundo sem Guerras.

A proposta inicial se desenvolveu muito rapidamente. Em poucos meses, a Marcha Mundial já suscitou a adesão de milhares de pessoas, agrupações pacifistas e não-violentas, diversas instituições, personalidades do mundo da ciência, da cultura e da política, sensíveis à urgência do momento. Também inspirou uma grande diversidade de iniciativas em mais de 100 países, configurando um fenômeno humano em veloz crescimento (www.theworldmarch.org).

A SITUAÇÃO ATUAL

Vivemos uma situação crítica em todo o mundo, caracterizada pela pobreza de vastas regiões, o confronto entre culturas, a violência e a discriminação que contaminam a vida cotidiana de amplos setores da população. Existem conflitos armados em diversos pontos, uma profunda crise do sistema financeiro internacional, ao que se soma hoje a crescente ameaça nuclear, a máxima urgência do momento. Este é um momento de grande complexidade. Aos interesses irresponsáveis das potências nucleares e à loucura de grupos violentos com possível acesso a material nuclear de dimensões reduzidas, devemos acrescentar o risco de um acidente que poderia detonar um conflito devastador.

Não é uma soma de crises particulares. Estamos diante do fracasso global de um sistema cuja metodologia de ação é a violência e cujo valor central é o dinheiro.

AS PROPOSTAS DA MARCHA MUNDIAL

Para evitar a catástrofe atômica futura, devemos superar a violência hoje, exigindo:
• O desarmamento nuclear em nível mundial;
• A retirada imediata das tropas invasoras dos territórios ocupados;
• A redução progressiva e proporcional do armamento convencional;
• A assinatura de tratados de não agressão entre países; e
• A renúncia dos governos a utilizar as guerras como meio para resolver conflitos.

Urge criar consciência da Paz e do desarmamento. Mas é necessário também despertar a consciência da Não-violência que nos permita rejeitar não somente a violência física, mas também toda forma de violência (econômica, racial, psicológica, religiosa, sexual, etc.). Esta nova sensibilidade pode se instalar e comover as estruturas sociais, abrindo caminho para a futura Nação Humana Universal.

Reivindicamos nosso direito de viver em paz e liberdade. Não se vive em liberdade quando se vive ameaçado.

A Marcha Mundial é um chamado para que todas as pessoas unam seus esforços e tomem em suas mãos a responsabilidade de mudar nosso mundo, superando sua violência pessoal, apoiando-se em seu âmbito mais próximo e até onde chegue sua influência.

A MARCHA EM AÇÃO

A Marcha Mundial pela Paz e pela Não-violência já está inspirando diversas iniciativas e atividades que deverão se multiplicar nos próximos meses. Uma delas será a marcha simbólica de uma equipe multicultural que percorrerá os seis continentes. Começará em 2 de outubro (Dia Internacional da Não-violência) em Wellington, Nova Zelândia, e culminará em 2 de janeiro de 2010 ao pés do Monte Aconcagua, em Punta de Vacas, Argentina.

Durante todo esse tempo, em centenas de cidades serão realizadas marchas, festivais, fóruns, conferências e outros eventos para criar consciência da urgência da paz e da não-violência. No mundo todo, campanhas de adesão à Marcha multiplicarão esse sinal para além do que é agora imaginável.

Pela primeira vez na história, um evento dessa magnitude se põe em marcha por iniciativa das pessoas.

A verdadeira força desta Marcha nasce do simples ato de quem, por consciência, adere a uma causa digna e a compartilha com outros.

Entre AQUI e veja quanto tempo falta.


PAÍSES E TERRITÓRIOS DO ITINERÁRIO


Oceania e Ásia Oriental:
Austrália. Filipinas. Japão. Nova Zelândia. Papua-Nova Guiné. Timor Oriental.
Ásia Continental:
Bahrain. Bangladesh. China. Coréia do Norte. Coréia do Sul. Emirados Árabes Unidos. Federação Russa. Índia. Iraque. Israel. Mongólia. Nepal. Palestina. Paquistão. Turquia.
Europa:
Alemanha. Áustria. Bélgica. Bielo-Rússia. Bósnia e Herzegovina. Croácia. Dinamarca. Eslováquia. Eslovênia. Espanha. Estônia. Federação Russa. Finlândia. França. Gibraltar. Grécia. Holanda. Hungria. Islândia. Itália. Luxemburgo. Macedônia. Noruega. Polônia. Portugal. Reino Unido. República Tcheca. Sérvia. Suécia. Suíça. Turquia.
África:
África do Sul. Argélia. Benin. Burkina Faso. Camarões. Congo. Costa do Marfim. Egito. Gâmbia. Gana. Guiné-Bissau. Guiné-Conacri. Libéria. Mali. Marrocos. Mauritânia. Moçambique. Níger. Quênia. Senegal. Serra Leoa. Suazilândia. Tanzânia. Togo. Uganda. Zâmbia.
América:
Argentina. Bolívia. Brasil. Canadá. Chile. Colômbia. Costa Rica. El Salvador. Equador. Estados Unidos. Guatemala. Haiti. Honduras. México. Nicarágua. Panamá. Paraguai. Peru. República Dominicana. Uruguai. Venezuela.
Antártida


Os números da Marcha

Continentes: 6
Países: 90
Quilometros: 160.000
Duração: 90 dias

Transportes:
40 trajetos em trem (incluindo o Transiberiano).
100 trajetos terrestres (ônibus, carros, motos, bicicletas, etc.), incluídos os trajetos Paris-Dacar e América Norte-Sul pela Cordilheira dos Andes.
14 trajetos aéreos.
25 trajetos aquáticos (barco, lancha, balsa, etc.).

Climas: a marcha atravessará todos os climas, desde o temperado suave, passando pelo mediterrâneo, continental, tropical, tórrido, desértico até o polar. Desde a estepe siberiana, passando pelos desertos do Saara e Atacama (o mais seco do mundo), até a Antártida.
Estações: nos 90 dias passará duas vezes pelas 4 estações do ano.

Altitude: na trajetória da MM terá que ultrapassar lugares a 5.000 metros de altitude.
Equipe permanente: 100 membros.
Passagens de fronteiras: 160
Instituições co-organizadoras: 500
Instituições colaboradoras: 3.000
Visitas a governos e representantes políticos: 100
Centros espirituais: 25

Participantes no trajeto: 1 milhão
Participantes virtuais: 10 milhões

SONHOS ROUBADOS

Neste século 21 será que as pessoas ainda sonham? Os mais velhos ainda têm lembranças boas de quando eram jovens das décadas de 50, 60 e 70 do século passado e lutavam para transformar o mundo. A época era da Revolução de Fidel e de Che Guevara, época dos festivais de música, do tropicalismo, do cinema de Glauber Rocha. Época dos Beatles, do John Lennon e sua Imagine.

E hoje? Com o que os jovens de hoje sonham? A geração dessas décadas acima discriminadas tinha muita coisa pela qual lutar. Lutou! Conseguiu mudanças. Se ela perdeu ou venceu, não importa. Possuía ideais amplos e convergentes. Conseguiu em sua luta transformar os arcaicos costumes sociais. Liberar a mulher para exercer vida própria. Disse não a uma ditadura cruel e desumana. Alimentou a cultura mundial com novos ícones, novas leituras, novos rumos.

Não existia celular. Não existiam shopping centers. Não existiam seitas religiosas universais que fanatizassem a mente do homem e comercializassem o nome do divino para locupletar de dinheiro os bolsos dos pregadores. O neoliberalismo e a globalização cuidaram de acabar com os sonhos. Os jovens de hoje sonham, é claro. Mas sonham com riqueza, beleza, poder. Sonham consumir produtos caros. A palavra solidariedade desapareceu da linguagem da juventude atual.

Filhos de pais de uma época revolucionária eles são. Mas seus sonhos foram roubados. Como eles irão sentir nostalgia no futuro? Seus pais sentem saudades das lutas ideológicas, dos filmes e das músicas legendárias. Os filhos irão sentir saudades daquele primeiro celular comprado numa lojinha de esquina! Os filhos, hoje, estão vivendo de uma forma tão liberal que os pais não mais conseguem acompanhá-los. Mas essa onda liberal não vem da luta, mas da mercantilização da vida.

O maior sonho de luta da geração dos anos 60 foi o socialismo. Nós, cinqüentões e sessentões de hoje sonhávamos uma sociedade livre da fome, da guerra, da exploração, da discriminação e da marginalização. Era nosso sonho de consumo. Queríamos transformar o mundo e não fazer como os fundamentalistas das religiões de hoje que só pretendem impor suas crenças a ferro e fogo. A geração dos anos 60 tinha como premissa criar uma sociedade nova. A derrubada e destruição dos governos capitalistas opressores. Jamais pensava na hegemonização religiosa ou na morte para se tornar mártir.

O capitalismo continua a ser um sistema perverso. Abusa do homem e da raça humana. Desencultura o homem ao globalizá-lo e escravizá-lo como um bicho qualquer, com o objetivo de trazer benesses a uns 100 ou pouco mais homens que se dizem donos do planeta. Nossos sonhos transformaram-se em pó. O socialismo esperado transformou-se em ditadura de partido único e os crimes contra a raça se multiplicaram.

Apenas Cuba conseguiu salvar-se desse dilema. Como bem disse o humanista Hesíodo, poeta do século IX a.C., em seu famoso texto “Os trabalhos e os dias”: “Os contraventores saquearão as cidades uns dos outros e o poder fará a lei e o pudor desaparecer.”

Os sonhos continuam sendo roubados? Não! Não existem mais sonhos. Existem mercadorias nas prateleiras. Uma mercantilização da vida que leva a violência para as ruas e para a instituição familiar. Existe imperialismo político nas grandes nações. O mundo hoje é um grande Big Brother. O Grande Irmão de George Orwell abre os braços para acolher os antisonhos, e prega a guerra e a destruição célere do planeta Terra. E propaga aos quatro cantos do mundo o dogma capitalista de que “fora do mercado não há salvação”.

Agronegócio transforma o Brasil no maior consumidor de venenos do mundo


A partir de informações publicadas pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) – organização patronal que reúne empresas do agronegócio como Basf, Bayer, Down Agrosciences, Dupont, Monsanto e Syngenta – elaboramos um resumo sobre o consumo de venenos na agricultura brasileira.


Os dados são preocupantes. Enquanto as transnacionais exultam com seus lucros, o Brasil ocupa o posto de maior consumidor de venenos do mundo. A posição, antes ocupada pelos Estados Unidos, foi assumida em 2008, ano em que o mercado de agrotóxicos movimentou sete bilhões de dólares.

Foi no ano passado também que uma série de decisões judiciais – obtidas após recursos movidos por empresas de agrotóxicos – impediu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de realizar a reavaliação de 14 ingredientes ativos (utilizados em mais de 200 agrotóxicos).

Esse cenário contribuiu para o Brasil continuar a produzir e importar agrotóxicos proibidos em diversos países do mundo. Segundo informações do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz, o que não é vendido União Européia, Estados Unidos, Canadá, Japão e China, acaba vindo para o mercado brasileiro.

Neste ano de 2009, a Avisa retomou os processos de reavaliação de 13 substâncias. Porém, os interesses das empresas de agrotóxicos mostram que mais uma vez será árdua a tarefa do órgão. Dentre os dados recolhidos de informações da Andef, está o que a associação chama de “Desafios Estratégicos para a Indústria de Defensivos Agrícolas”, uma lista com oito itens que tem como ponto de destaque a necessidade de “agilizar processo de registro de novos produtos”. Percebe-se também que as indústrias de veneno estão preocupadas com os consumidores. Em quarto lugar, vemos que um dos desafios apontados é o de “esclarecer para a sociedade que alimentos ‘convencionais’ [sic] do agronegócio são mais saudáveis”.
Para saber mais, veja o documento na íntegra.

TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

Gente, recebi esse mail e compartilho agora com vocês. Eu adorei a ideia. Apesar de ainda acreditar na política e achar que temos bons parlamentares. Mas, pensando bem, olha o salto de qualidade que daríamos na educação com essa proposta abaixo:

“Prezado amigo!
Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00

Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar?

Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: o professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!

Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano. São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.

Na Itália, são gastos por ano com um parlamentar R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa R$850 mil e na vizinha, Argentina, R$1,3 milhões.
Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:

‘TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES’.”

E aí, como vamos votar de agora em diante?

Gente, vamos começar a troca? Eu topo! E você?

UFC promoverá a Feira das Profissões



profissoesA Universidade Federal do Ceará realizará, entre 5 e 7 de agosto, a Feira das Profissões.

O evento será organizado pela Pró-Reitoria de Graduação, no Campus do Pici, sendo voltado para alunos do Ensino Médio das redes pública e particular de ensino.

Os pré-universitários conhecerão detalhes dos cursos de graduação oferecidos pela UFC.

Nos estandes montados, estudantes universitários tirarão dúvidas dos visitantes sobre os cursos de graduação.

Na ocasião, poderá ser adquirida a Revista das Profissões, que oferece subsídios aos jovens para a escolha do curso superior.

Fonte: Profª Sônia Castelo Branco, da Pró-Reitoria de Graduação.

sábado, 1 de agosto de 2009

"REPORTAGENS INTERESSANTES"

"A América Latina na crise mundial"

Siga o dinheiro: a ofensiva imperial na América Latina se evidencia em dólares

O Orçamento da USAID e do Departamento de Estado aumentará em 12% em 2010. Com 2.2 bilhões de dólares destinados para a América Latina.

* 447.7 milhões de dólares são para "promover a democracia" na América Latina.

* 13 milhões de dólares são para "promover a democracia" na Venezuela.

* 101 milhões de dólares para "promover a democracia" na Bolívia.

* 3 milhões de dólares para um fundo especial da OEA para "consolidar a democracia representativa na Bolívia, no Equador, na Nicarágua e na Venezuela.

* 20 milhões de dólares para a "transição para a democracia" em Cuba.

* O Orçamento de Comando Sul aumentará em 2% para chegar aos 200 milhões de dólares em 2010; além de 46 milhões de dólares adicionais para melhorar a base militar de Palanquero, na Colômbia, para uso estadunidense.

* Não há dúvida nenhuma sobre a escalada de agressão imperial na América Latina durante os últimos anos. Desde o golpe de Estado contra a Venezuela, em 2002; do sequestro do presidente Aristide, do Haiti, em 2004; das intervenções nos distintos processos eleitorais na região; da reativação da IV Frota da Armada estadunidense, em 2008; das tentativas de gerar um conflito regional entre Colômbia, Venezuela e Equador; o separatismo na Bolívia e até o golpe de Estado contra Honduras, em 2009 e o alarmante aumento da presença militar dos Estados Unidos na região - tudo evidencia que o império está na ofensiva de novo na América Latina. Porém, além da manifestação visível dessa agressão, que busca neutralizar os processos de mudança revolucionária na região, há provas contundentes, inegáveis de que hoje em dia Washington está apontando para o Sul, com seu grande poder militar, diplomático, econômico e comunicacional.

Segue o dinheiro e encontrarás a verdade

A evidência sobre o aumento do financiamento durante os últimos anos por parte das agências de Washington aos setores da oposição na Venezuela, na Bolívia, no Equador e em outros países que estão construindo modelos alternativos ao capitalismo estadunidense, tem sido apresentado, denunciado e não tem sido desmentido. Que existe uma tendência a financiar e apoiar a desestabilização regional por parte do império, desde a chegada da Revolução Bolivariana, há dez anos, é um fato. Porém, não temos que examinar a evidência a partir de dez anos atrás; podemos simplesmente olhar a partir de hoje em direção ao futuro para comprovar que Washington financia não somente a desestabilização regional, mas também está aumentando esse financiamento e intensificando seus planos militares nos próximos meses.

PARA ACOMPANHAR NA INTEGRA ACESSE ADITAL - FREI TITO MEMORIAL ON-LINE

domingo, 14 de junho de 2009

CURSO GRATUITO - Curso Direitos Humanos e Mediação de Conflitos


Todo homem – e toda mulher! – tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Independentemente do sexo, da cor, da idade, do credo, do país, do grau de escolaridade ou até de grande cidadania, santos ou criminosos, nenéns ou vovozinhos, sendo gente – apenas gente, todo homem e toda mulher são pessoas.
E devem ser reconhecidos como tais na vida de casa e da rua, na família e na sociedade, no trabalho e no lazer, na política e na religião. Também nos canaviais e nas carvoarias. Também nas penitenciárias e sob os viadutos. Diante dos olhos dos transeuntes e ante as câmeras de televisão. Em todos os lugares, pois, deste redondo planeta azul que é a Terra.
(...) – Não é um cara; é uma pessoa. Não é uma vagabunda; é uma pessoa. Não é um estrangeiro; é uma pessoa; não é um mendigo (para brincar de fogo com ele!); é uma pessoa. (Uma pessoa, senhora juíza!) (CASALDÁLIGA, 2002, p. 85)

Para fazer sua inscricao neste maravilho curso click AQUI


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ganga Zumba

Sinopse

No início do século XVI, alguns negros fugiram dos senhores portugueses e fundaram aldeias, como o Quilombo de Palmares, o mais famoso. Ganga Zumba, neto do rei dos Palmares, Zumbi, nasceu na senzala e vai tomando contato com a história de suas lutas e problemas.

No Brasil colonial, o escravo Ganga Zumba representa para seus companheiros o substituto de Zumbi dos Palmares. Na fazenda, os escravos trabalham no canavial, entre as chibatadas do feitor, e engendram planos de fuga em direção ao Quilombo dos Palmares. O negro Aroroba, chefe do grupo, envia dois escravos à Palmares.

A fuga dos dois é relatada ao fazendeiro. Tolentino da Rosa, o capitão-do-mato, sai à caça dos fugitivos. Chegam à fazenda o sr. e a sra. de Piancó. Junto à senhora, vem a mucama Dandara, que desperta a paixão de Ganga Zumba. O capitão-do-mato retorna trazendo apenas uma orelha de um dos escravos e Aroroba se convence de que o outro teria alcançado Palmares.

Chega, então, do quilombo, um guia com a missão de levar Ganga Zumba e os outros à Palmares. O grupo foge durante a noite e é perseguido pelos homens de Tolentino Rosa. Acampam na serra. O guia relata ao grupo a deterioração do estado de saúde de Zumbi.

Durante o percurso, encontram o casal Piancó e a mucama Dandara. Matam os senhores e levam a mucama. Durante a travessia de um rio, Aroroba é ferido pelos homens do capitão-do-mato. Na mata, Ganga Zumba e os outros conseguem dar cabo de seus perseguidores, com a ajuda dos negros de Palmares. Aroroba morre. No Quilombo, Ganga Zumba é coroado rei, ao lado de Dandara.

...

Críticas

Baseado no livro homônimo de João Felício dos Santos, "Ganga Zumba" é um bom filme nacional. Realizado pelo cineasta Carlos Diegues, o filme apresenta um ótimo ritmo, com bons momentos que prendem a atenção do espectador.

A fotografia de Fernando Duarte é de primeiríssima qualidade. A trilha sonora é excelente. No papel-título, Antônio Pitanga é o grande destaque do elenco.

Enfim, "Ganga Zumba" é um bom filme, imperdível para os estudiosos da cultura negra no Brasil.



QUEM FOI GANGA ZUMBA?
Ganga Zumba
foi o primeiro grande chefe conhecido do Quilombo de Palmares. Era tio de Zumbi e celebrizou-se por ter assinado um tratado de paz com o governo de Pernambuco.

Em 1677, sob sua chefia, Palmares travou dura guerra contra a expedição portuguesa de Fernão Carrilho. Nesta batalha, as tropas da coroa fizeram 47 prisioneiros, entre os quais dois filhos de Ganga Zumba _Zambi e Acaiene_, netos e sobrinhos. Um de seus filhos, Toculo, foi morto na luta. O próprio Ganga Zumba foi ferido por uma flecha mas escapou.

Em 1678, o governador Pedro de Almeida fez a primeira proposta de paz a Ganga Zumba, oferecendo ''união, bom tratamento e terras'', além de prometer devolver ''as mulheres e filhos'' de negros que estivessem em seu poder.

Em junho de 1678, o oficial enviado a Palmares para levar a proposta retornou a Recife, à frente de um grupo de 15 palmarinos, entre os quais se encontravam três filhos de Ganga Zumba, recebidos pelo governador Almeida.

Em troca da paz, os palmarinos pediam liberdade para os nascidos em Palmares, permissão para estabelecer ''comércio e trato'' com os moradores da região e um lugar onde pudessem viver ''sujeitos às disposições'' da autoridade da capitania. Prometiam entregar os escravos que dali em diante fugissem e fossem para Palmares.

Em novembro do mesmo ano, Ganga Zumba foi a Recife assinar o acordo. É cedida a ele e seus partidários a região de Cucaú, distante 32 km de Serinhaém.

Parte dos palmarinos, liderados por Zumbi, são contrários ao acordo de paz e se recusam a deixar Palmares. Em Cucaú, vivendo sob forte vigilância da autoridade portuguesa e hostilizado pelo moradores das vilas próximas, Ganga Zumba vê frustrada sua iniciativa. Morreu envenenado por um partidário de Zumbi.

Para adquirir esse filme, olhe os links ai... 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. São muitas partes, mas vale a pena.